domingo, 3 de janeiro de 2010

Tudo Novo Denovo

Ano Novo é época de promessas, superstições e simpatias. Não há quem não as faça - nem que seja um comentário, no escuro, antes de dormir. "Amanhã eu começo a dieta". Tem quem faça a longa lista de resoluções. "Vou manter minha vida em ordem". Tem quem promete a Deus, em suas orações. "Não vou mais cobiçar o marido da vizinha". Tem quem diz a família. "Este ano eu prometo, vou parar de fumar". E acredite, as modalidades de promessas são infindáveis.
Passar a virada de branco, guardar os caroços de romã, pular sete ondinhas, usar calcinha vermelha para o amor, amarela para o dinheiro e verde para boa sorte. Comer lentilhas, não comer animal que cisca para trás, tomar chá de erva-de-são-joão, dar um beijo à meia-noite.
Comer doze uvas, trocar os lençóis, abrir as portas e janelas, acender as luzes. Fazer bastante barulho, dar três pulinhos com uma taça de champanhe na mão e não derramar uma gota. Coma nozes, avelãs, castanhas, tâmaras e carne de porco...
Já imaginou se fosse assim? Tipo password de videogame? Como mágica, todos ficariamos ricos, saudáveis e casados. E a graça da vida entra aonde mesmo? Pois é...
Se você fizer tudo isso e de nada adiantar, não me admiro, e sugiro tentar o duplo twist carpado. De qualquer maneira, deve ser mais fácil. E dar menos indigestão. Se não acreditar em mim, continue tentando no próximo ano, em algum deles você acerta.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fim de Ano

Fim de ano é quase como fim de festa. Tem o Natal, que seria o equivalente as músicas antigas, que apesar de meio cafonas, todo mundo dança, e adora. Mas tem também todas aquelas coisinhas inconvenientes que rolam quando as luzes se acendem.
Fim de ano, por exemplo, é sinônimo de amigo secreto. Amigo secreto é sinônimo de qualquer coisa que ficará guardada na gaveta dos fundos pelo resto de suas vidas.
Fim de ano também é sinal de trânsito intenso pelas ruas da capital, shoppings igualmente intransitáves e a fila do supermercado que dá a volta no quarteirão.
Fim de ano é época de pegar aquela listinha de resoluções e descobrir que você não fez absolutamente nada do que prometeu ano passado. Não perdeu peso, - pelo contrário, engordou - não mudou de emprego, não manteve suas coisas organizadas, e até a namorada que você tinha te trocou por outro. E queira ou não, é hora de se preparar para o próximo ano.
Então, mesmo quando as luzes se acendem e você percebe que bebeu demais, que talvez não devesse ter roubado aquele beijo, que se arrepende de algumas escolhas que fez, que não anda bem de grana, nem de saúde e nem de relacionamento, quando você se dá conta de tudo isso, se inicia a contagem regressiva.

Dez ... Nove ... Oito ... Sete ... Seis ... Cinco ... Quatro ...Três ... Dois ... Um ... Feliz Ano Novo!


Você já se esqueceu de (quase) tudo o que lhe afligia, e o que sobra são as esperanças de um novo ano que acaba de começar.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Papai Noel Existe?

Acreditar é uma coisa, existir de fato é outra. Devo dizer que a meu ver, o caso do Papai Noel engloba as duas coisas.
Primeiro, é preciso acreditar.
Você pode ter cinco, vinte e cinco ou cinquenta anos, se você não acreditar em Papai Noel,o Natal continuará sendo uma data comercial, criada por multinacionais perversas, onde tudo o que importa são os presentes embaixo da árvore e a comida em cima da mesa.
Por outro lado, se você quiser acreditar, encontrará provas mais do que suficientes de que ele um dia existiu, e que São Nicolau, Kriss Kringle, Father Christmas, Santa Claus, Kerstman, Grandfather Frost, Babbo Natale ou como você prefira chamá-lo, ainda existe, e está em toda a parte.
Seja lá como for, a questão é que ninguém no mundo seria capaz de provar sua inexistência. Logo, é difícil deixar de acreditar numa coisa que em hipótese nenhuma é mentira, estou enganada?
Assim como acreditar em Deus é escolha própria, mesmo não havendo no mundo quem consiga provar sua inexistência. Está certo que tampouco provam o contrário, mas então é aí que entra a fé. E com o Papai Noel é a mesma coisa.
Então, daqui há dez ou quinze anos, quando minha filha vier me perguntar se Papai Noel existe, estarei pronta para responder.

"Papai Noel é tão real quanto as fadas que dançam no jardim, os duendes que somem com suas coisas, a fada dos dentes, as bruxas, o coelhinho da páscoa", direi. "Ele é tão real quanto o amor, o carinho, a fé, a esperança...  Não acreditar em Papai Noel é como não acreditar em nada disso. Poderíamos, se você quiser, ficar acordadas a noite toda, esperando embaixo da chaminé. Ele não apareceria. E o que isso provaria? Talvez ninguém consiga ver o Papai Noel, mas isto não significa que ele não exista. Você pode acreditar no que quiser, mas se vier me perguntar, eu direi: Eu acredito em Papai Noel."

sábado, 26 de dezembro de 2009

Questões Existenciais...

... da época Natalina.

Sentada na mesa da cozinha, olhava aquele frango rechonchudo e pelado na minha frente enquanto tentava descobrir qual seria o melhor jeito de fazer aquilo. Então quer dizer que eu tinha que enfiar minha mão ali e depois... Bem, uma mulher tem de fazer o que uma mulher tem de fazer, mãos à obra, pensei.
Enquanto desossava aquele frango digno de filmes de comédia, começei a pensar sobre coisas que costumam nos afligir na época do Natal. O que é que eu vou comprar de presente pro filho da vizinha? Como era mesmo aquela receita de doce da vovó? Será que se eu comer aquele bolo de frutas eu vou sair muito da minha dieta?
E entre outros pensamentos importantes dessa época natalina, o que me sensibilizou foi: Papai Noel existe?
Quero dizer, quando é que ficou convencionado que Papai Noel surgiria em meados de novembro como esperança e forma de chantagem para criançinhas ao redor do mundo, e desapareceria em dezembro com a promessa de um ano melhor?
Devo confessar que desde criança fui condicionada a acreditar em fadas que dançam no jardim, duendes que somem com as minhas coisas, a fada dos dentes, bruxas - por quem eu sempre tive especial admiração, mas principalmente no coelhinho da páscoa, que é muito meu amigo, já que eu nasci em abril, e no Papai Noel.
Quando lá pelos sete anos começei a desconfiar que seria um pouco inviável para um senhor de seus 80 anos viajar pelo mundo intiro em uma noite, descer pelas chaminés - ou escalar pelas janelas de um prédio, como era o meu caso - e entregar todos os presentes de Natal bem a tempo, fiquei ligeiramente desapontada. Porém, contrariando especialistas que desencorajam os pais a ensinarem os filhos a crer em sua existência por ser uma mentira elaborada e eticamente incorreta, minha mãe continuou enfeitando a casa, montando a árvore e lembrando-me de escrever uma cartinha todos os anos.
Decidi que acreditar ou não dependia somente de mim. E pensando bem, as pessoas acreditam em cada coisa hoje em dia...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!

Acabei não postando nada nessas últimas semanas, pré-natal, justo as que costumam ser as mais produtivas pra mim. Entretanto, depois da mudança da Fuvest, da gripe do porco, das aulas de sábado, do enem ser roubado, negociado e abduzido, depois de estudar pra caramba, de todos os vestibulares serem remancados, de passar de ano direto, e finalmente, depois de largar os livros e entrar na faculdade, tenho  tido um tempinho pra ler, descansar e frequentar muito a cozinha.
Hoje em especial. Por mais estranho que possa parecer, algumas idéias bacanas me apareceram às quatro da tarde, enquanto desossava o frango. Escreverei sobre elas em breve.

E enquanto 2010 não chega, eu desejo um Feliz Natal a todos vocês.
Que Papai Noel seja compreensivo, afinal, é quase impossível ser bonzinho o ano inteiro, mas todos merecemos presentes.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Encarar a vida de frente, sempre; encarar a vida de frente, e vê-la como ela é.
Por fim, mesmo sem entendê-la, nunca; mesmo sem entendê-la, aceitá-la pelo que ela é.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vontade de Filosofar

Começo por admitir a possibilidade do erro de concepção em minha teoria, tentando simplificar ciência que é, na verdade, muito complexa, mas assim mesmo...

Estava esses dias pesquisando a jornalista Márcia Tiburi, e descobri que sua formação é de superior, mestrado e doutorado, os três em filosofia, com especialização em filosofia contemporânea. Assunto que já me interessava, me interessou mais ainda sendo parte importante da formação de uma jornalista tão admirada por mim e outros tantos.
Fui pesquisar um pouco mais, dessa vez sobre a filosofia. Aristóteles dizia que o principal que deve ser visto em um filósofo, é que ele não é um especialista. É alguém cujo olhar se derrama pelo mundo, e cuja curiosidade insaciável leva a busca pelo conhecimento de diversas coisas que dizem respeito ao homem e à sociedade. No fundo, o filósofo é um desvelador, que descobre nossos olhos para o que por conta própria não conseguimos ver.
Platão julgava que a primeira atitude de um filósofo é admirar-se. A partir da admiração faz-se a reflexão crítica, marcando essa filosofia como a busca do entendimento e da verdade. Filosofar é dar sentido à experiência.
Portanto, creio eu, quando escrevo sobre um assunto qualquer, estou fazendo filosofia. Estou lavando o rosto e as mãos, sentando ao computador de alma limpa e cabeça cheia, com experiências e idéias que julgo merecerem reflexão, entendimento ou qualquer outra coisa que me sacie e esgote a curiosidade ou a possibilidade de determinado assunto.
Só quero falar de coisas que me afligem, que me incomodam por serem demasiadamente erradas ou corretas, por estarem diariamente presentes, marcando meu cotidiano sem razão aparente, mas que merecem explicação ou razão de ser. Quero falar daquilo que causa coceira na ponta da língua, ou na ponta dos dedos, e que praticamente me obriga a sentar e escrever, que seja somente uma frase.
Enfim, que sei eu das coisas do mundo, com apenas 17 anos de carreira como ser humano, vivente e pensante nesse mundo pequeno demais? Que sei eu de filosofias analíticas e da metafísica das coisas? Que sei eu de grandes nomes da filosofia, de niilistas, positivistas, ceticistas e o escambau? Sei que nada sei.
Penso, logo existo. Já é mais do que aqueles que apenas vivem. Por que existir de fato, é muito raro.
Então, posso estar errada, mas acredito demais nessa minha filosofia barata de botequim.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

The Ugly Truth

E vero que eu nunca perco uma chance de me meter nestes assuntos do coração. E aparentemente não sou a única. Hollywood está cheia de gente que acha que pode explicar um relacionamento, dirigir um casal apaixonado e criar um script perfeito; baseado em fatos reais. Vide o novo sucesso de bilheterias "The Ugly Truth". É verdade que mulheres são muitas vezes "control freaks", e tratá-las como apenas "romantically challenged" é bondade. Também é verdade que os homens nem sempre pensam com a cabeça correta. Mas outras verdades também devem ser pontuadas...

Muitas mulheres levantam uma bandeira que diz que podemos fazer tudo o que os homens fazem, mas com classe e salto alto. É mentira! Se fosse verdade que as mulheres, depois da invenção do vibrador, não precisam de homens para mais nada, não teriamos tantas amigas em regime de semi-desespero - isso sem falar de nós mesmas. A verdade é que toda mulher gosta de um homem um pouco machista - especialmente quando se trata de Gerald Butler. Que deixe a barba por fazer, tome cerveja no gargalo e te chame de "minha".
É tambem verdade que homens muitas vezes agem exatamente como descritos por Mike, espécie de Hitch, conselheiro amoro às avessas. Porém, clichê em comédias românticas, ele é o tipo "faça o que eu digo, mesmo que eu não o faça."
Curioso pensar também que em cada "men whore" que existe por aí, tem um cara sensível, que já amou e teve o coração partido. Será? Katherine Heigl, ou melhor, Abby, defende a típica posição da mulher emocionalmente madura, cheia de bagagem, - solteira, claro - "Sim, homens são plenamente capazes de amar."
E entre esta última frase e o fim do filme temos vários quotes que valem a pena serem questionados.
Porém, no exato momento, o que não me sai da cabeça é o seguinte: é mesmo preciso uma série de relacionamentos ruins para se reconhecer um bom? É preciso uma série de relacionamentos de qualquer espécie, para finalmente não se sentir inimiga em território de batalha? Será então que relacionamentos são apenas cobaias, uma verdadeira guerra, sexo grátis, um rótulo social, uma demanda, ou todas as alternativas anteriores?
Bem, isto talvez não seja uma verdade absoluta, mas eu ainda vou descobrir...






A Verdade Nua e Crua


Título Original: The Ugly Truth

Gênero: Comédia, Romance

Duração: 97 min.

Tipo: Longa-metragem / Colorido

Distribuidora(s): Sony Pictures

Produtora(s): Lakeshore Entertainment, Relativity Media

Diretor(es): Robert Luketic

Roteirista(s): Nicole Eastman, Karen McCullah Lutz, Kirsten Smith

Elenco: Katherine Heigl, Gerard Butler, Bree Turner, Eric Winter, Nick Searcy, Jesse D. Goins, Cheryl Hines, John Michael Higgins, Noah Matthews, Bonnie Somerville, John Sloman, Yvette Nicole Brown, Nathan Corddry, Allen Maldonado, Steve Little
Estréia: 18.09.2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Sábado Anoite

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado anoite.

O telefonema da Bia não podia ter acontecido em melhor hora. Ela tem um timing impecável, quase britânico. Eu havia sido chutada. Estava devastada, jogada fora, literalmente. Achei ótima a ideia de sair para um barzinho, tomar uns chopps e chorar as mágoas.
“É amiga, vamos beber, por que amar está foda...”
Fomos. A musica estava alta e o lugar estava lotado. Mas eu ainda me sentia sozinha. Sozinha exceto pela Bia, que sempre estava por perto, e as Margaritas que nos acompanhavam.
Mas, coitada da Bia. A arrasada não era ela, e sim eu, por isso disse que ela estava liberada para paquerar, embora a esta altura eu já estivesse achando que o amor estava só de sacanagem.
Depois disso, quem me acompanhou foram algumas doses de tequila, sal e limão. E vero que alguns caras se engraçaram e quiseram me pagar uns drinks. Fiquei apenas com os drinks.
Devo dizer que a Bia era uma amiga boa demais para me deixar naquela situação sozinha. Por isso, não demorou a voltar. Foi ela que bancou as caipirinhas e ficou lá, ouvindo tudo o que ele me disse e não deveria ter dito e o que eu não tive coragem de responder mas deveria ter respondido. Eu falei, falei e falei. Não sei ao certo se foi toda a bebida, ou alguém desligou o ar condicionado, mas comecei a ficar com um calor insuportável. Primeiro foi embora meu casaco. Depois, calculei que se tirasse a blusa, o top que usava por baixo não ficaria assim, tão mal. E outra, grande merda, é só um top. Mas sabe com é homem, né?! Só pensa com a cabeça de baixo...
Aquela luz piscante estava me embrulhando o estômago. Ou talvez fossem aquelas batatinhas que eu comi... E o calor, aquele calor que não passava. A música alta nos meus ouvidos, e minha cabeça girava. Já não sentia mais meus pés nem meus lábios.
Senti porém algumas lágrimas que não consegui segurar. Graças a Deus eu tenho a Bia. Em tempo récorde ela pagou a conta e nos conseguiu um taxi. A próxima coisa de que me lembro foi a pia. A pia bem perto de mim, e Bia segurando meu cabelo para trás.
E a sensação era horrível. Aquilo não era eu. E foi tão rápido, irreverente, quase como... Como o que foi e não deveria ter sido. Vomitei as batatinhas. Vomitei os chopps, as margaritas e as tequilas. Os drinks e as caipirinhas. Vomitei tudo. E depois, fazendo um esforço ultra-humano, como algo que saiu, mas que nunca deveria ter saído, como alma que se esvazia por completo, vomitei ele, vomitei o amor.

sábado, 24 de outubro de 2009

Afinidade.




Afinidade acontece. Um mesmo signo, um mesmo par de sapatos caramelo, um mesmo livro de cabeceira. Afinidade acontece entre seres humanos. A mesma frase dita ao mesmo tempo, o diálogo mudo dos olhares e a certeza das semelhanças entre o que se canta e o que se escreve. Afinação acontece. Um mesmo acorde, um mesmo som, uma mesma harmonia. Afinação acontece entre instrumentos musicais. A mesma nota repetidas vezes, a busca pela perfeição sonora e a certeza das similaridades entre um tom acima e um tom abaixo. A incrível mágica acontece quando os instrumentos musicais descobrem afinidades humanas entre si no mesmo instante em que os seres humanos descobrem afinações musicais dentro deles mesmos.





/oteatromagico.mus.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Vagens Secas

A paisagem era linda, embora um tanto quanto quanto apocalíptica. O céu estava muito escuro e ouviam-se alguns trovões. Em algum lugar distante sentei-me no parapeito da janela, hipnotizada pela cena. Ao fundo, em um morro descampado, uma grande árvore retorcida balançava seus galhos loucamente. Em cada ponta um grupo de vagens secas se chacoalhava, imitando o barulho da chuva. As vagens queriam chover.
Desci as escadas da sacada vagarosamente. tirei os sapatos e fechei os olhos. Caminhei um pouco pela grama e sentei-me no chão. Secretamente desejei que chovessem vagens secas. Quando abri os olhos novamente, vagens secas se soltavam da ponta dos galhos e cobriam o céu como pequenos pássaros em revoada. Torciam e retorciam no céu as vagens secas. E caiam suaves na grama, sobre meus ombros, em meu colo. O céu estava escuro, mas para mim era lindo.
Gotas pesadas de chuva começaram a cair. Molharam meus cabelos, borraram meus olhos e encharcaram minhas roupas, mas não me chateei por que eram de água. As vagens secas já tinham chovido para mim.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Seja e Deixe Ser

Não. Por favor, não pare. Não se deixe distrair por meus olhos, que observam atentos cada movimento, nem por meu silêncio, que nada diz e tudo fala. É que gosto de ver os outros sendo.
Tão compenetrado fazendo qualquer coisa, alheio a todo o resto do mundo, que também está alheio a si. É curioso ver como as coisas, por mais interligadas que sejam, existes independentes. Se eu parar de existir, nada para de existir comigo, que não fosse previamente eu, ou meu.
Se eu parar de existir, as cores que vejo deixarão de ser vistas por mim também, mas a rosa continuará vermelha. Se eu parar de existir, os sonhos que tenho deixarão de ser meus sonhos, e serão por outro, sonhados. Se eu parar de existir, o lugar que ocupo no tempo e no espaço tornará-se vago, livre. Se eu parar de existir, meus olhos minhas mãos, meus sentidos também se apagarão. Os amores que sinto deixaram de ser meus amores, mas não tardarão a ser amados. Se eu parar de existir o mundo continuará existindo, tão ou igual ao meu, sem mim. O sol irá se levantar todas as manhãs, e milhares de pessoas se levantarão com ele. E darão início a um novo dia sem mim. E este dia passaria rápido, dando lugar a noite. Uma noite alegre. E o copo da bebida que tomava não deixará de ser usado, na mesma mesa de bar. Alguém se embriagará de meus pesares e se encontrará no fundo de um copo que já me serviu de lente também. E então, a lua irá se apagar, e os outros irão dormir o sono dos justos, para se levantar mais uma vez, para o novo dia que amanhece. E ninguém para ou repara, que anoite, no céu, uma estrela se apagou.
Meu passatempo preferido, quando estou no apartamento - como resistência à vontade de cuspir do quinto andar na cabeça de todos lá em baixo - é olhar pela janela. Vejo as pessoas indo e vindo, fazendo coisas, falando coisas, comendo coisas... Sendo. Gosto de ver os outros sendo.
Independente de mim ou do resto.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Felicidade

Felicidade, é uma dama que bate à porta...
Feliz é o que voce percebe que era, muito tempo depois do que já foi. Mas será que não há modo de se perceber quando a felicidade finalmente bate à porta? E justo nos dias de hoje, quando deve-se manter cada porta bem fechada, como parte de nossa insegurança privada... Quem sabe então uma fresta... A felicidade é como um matinho, uma erva daninha, que nasce em qualquer brecha, em qualquer canto. Mas a gente nem percebe. Antes mesmo que ela floreça a gente já vai logo arrancando e cobrindo de asfalto.
A gente passa a vida atrás dessa tal, sem perceber que a felicidade não é o encontro, mas a busca. A hora do encontro vem depois, quando já estivermos cansados demais, cheios de tanta felicidade que foi, ou deveria ter sido a vida.

E que sei eu da vida, da procura ou do encontro?
Sei o que me disseram uns amores, uns poetas delirantes, que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

E que sei eu da felicidade?
O que me disse a própria vida. Que geralmente, a gente é tão feliz quanto deseja ser. E você, já foi feliz hoje?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Coração Andarilho

Meu peito inflama. Minha boca arde. Meu coração cansado bate.
Hoje tenho os pés cansados de um coração andarilho...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sexto Capítulo - Entre Sobremesas

(um post comestível sob qualquer ponto de vista.)

Existem tipos e tipos de mulher. Bem como tipos e tipos de sobremesa. Não sei se vocês se lembram da tragicômica cena protagonizada por Julia Roberts e Cameron Diaz, em “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, em que as duas discutem sobre pedir Cremme Bruleé quando na verdade, o que você realmente quer é gelatina. Nem preciso dizer que Julia é gelatina. E, se fossemos dividir as mulheres nestes dois grupos, a mulher gelatina seria bem diferente do que seu nome propõe.
Pode até ser difícil de explicar, tendo em vista que atualmente tudo o que é alimento vira atributo de mulher, especialmente as frutas. Mas é só olharpara Julia Roberts qu você entende. Enfim, a pergunta é: Por que no fim das contas a gelatina não vence o Creme Bruleé? Bem, se você já assistiu ao filme, sabe que o bonitinho fica com Cameron Diaz. Eu realmente não entendo.
O Creme Bruleé é sim, delicioso. É chique e sofisticado. O creme é doce na medida certa. Porém, o creme também é um pouco óbvio. Colocando em termos que você certamente irá perverter, esta é uma sobremesa que, depois que você come a casquinha, o resto pode até deixar no prato.

Pois é. A gelatina não. Pra começo de conversa, gelatina é prática. Ela é, na verdade, exatamente o que você queria. Quando dá aquela vontade, sabe? É ela. A gelatina é, acima de tudo, confortável. É de uma cor vibrante, alegria jovial. Descolada, super diferente daquela outra sobremesa, que, diga-se de passagem, era sua preferida. Ou não? Então, se a perfeição do creme bruleé cansa, e além do mais, custa bem mais caro, porque não escolher a gelatina?
Assisti o filme novamente e devo dizer que não me desapontei. O final não muda nunca. É, acho que algumas pessoas simplesmente não tem bom gosto no que diz respeito a comida. Ou ao resto...